Atendimento integrado faz toda diferença

Receber o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) em uma criança costuma ser um momento marcante para a família. Muitas dúvidas começam a dar lugar a novas decisões. Como estimular seu desenvolvimento? Qual atendimento devemos procurar? De que forma a escola pode contribuir? Como será o futuro do meu filho? Aos poucos, fica claro que nenhuma resposta virá de um único profissional ou serviço. É justamente essa compreensão que orienta o trabalho desenvolvido pelo Instituto Justiça em Porto Feliz (SP) com dois projetos voltados para o tratamento de crianças com o espectro.

A experiência do Centro Integrado de Educação Municipal (CIEM) e do Centro Integrado de Terapias Educacionais Municipal (CITEM) mostra que a evolução infantil ganha força quando diferentes áreas deixam de atuar de forma isolada e passam a compartilhar objetivos de forma sinérgica.

O primeiro passo acontece na primeira infância, dentro do CIEM com atendimento a crianças de quatro e cinco anos matriculadas na rede municipal de ensino. Nessa fase, o cérebro apresenta maior capacidade de adaptação e aprendizagem, tornando o acompanhamento ainda mais importante. O foco está em conhecer cada criança e construir estratégias compatíveis com seu ritmo de desenvolvimento através da união do atendimento educacional e terapêutico em um mesmo espaço, preparando a criança para a futura inserção na rede regular de ensino. Essa forma de atuar muda também a relação entre os profissionais. O que é observado durante um atendimento não permanece restrito àquela sessão. Professores e terapeutas conversam diariamente, compartilham informações e ajustam estratégias de acordo com a evolução de cada criança. Um recurso utilizado pela fonoaudiologia, por exemplo, pode ser levado para a sala de aula e reforçado em outros momentos da rotina. O desenvolvimento acompanha a criança ao longo da jornada.

A família também ocupa um lugar essencial nesse processo. É ela quem convive diariamente com a criança e ajuda a equipe a compreender situações que nem sempre aparecem durante os atendimentos. Esse diálogo amplia a compreensão sobre as necessidades individuais e permite que o trabalho tenha continuidade em casa.

Com o ingresso na escola regular, no ensino fundamental, surgem novos desafios, mas o acompanhamento não precisa ser interrompido. No CITEM, o atendimento acontece no contraturno escolar, permitindo que a criança continue frequentando as aulas enquanto recebe o suporte necessário para enfrentar as demandas que passam a fazer parte da nova etapa da vida. Nesta etapa, profissionais de áreas como fonoaudiologia e psicologia acompanham cada criança de forma integrada. As estratégias são discutidas em conjunto para que o atendimento responda às necessidades identificadas ao longo do acompanhamento. A escola também participa desse movimento. Sempre que necessário, as equipes compartilham informações e alinham estratégias que possam favorecer o desenvolvimento da criança no ambiente escolar. Esse diálogo cria condições para que a criança encontre referências semelhantes nos diferentes espaços que frequenta.

Os resultados aparecem de maneiras diferentes e nem sempre seguem o mesmo caminho. Em algumas crianças, as primeiras mudanças são percebidas na comunicação. Em outras, surgem na rotina, na convivência ou mesmo na forma de lidar com novas situações. O mais importante é que cada avanço fortalece a confiança da família e confirma o valor de um acompanhamento que respeite a individualidade e evolução de cada criança.

O trabalho desenvolvido pelo CIEM e pelo CITEM faz parte de uma atuação mais ampla do Instituto Justiça voltada à inclusão de crianças com TEA. Ao definir o Transtorno do Espectro Autista como um de seus pilares em 2026, o IJ reafirma seu compromisso de apoiar iniciativas que ampliem o acesso ao atendimento, fortaleçam as famílias e contribuam para que mais crianças encontrem oportunidades de desenvolvimento ao longo da infância.

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