Parceria entre Instituto Justiça e Formigas-de-Embaúba recupera áreas urbanas e melhora sensação térmica em escolas de São Paulo

Fotografia: Formigas-de-Embaúba

O adensamento de áreas construídas e a escassez de cobertura vegetal nas periferias da capital paulista motivaram uma cooperação voltada à implantação de Soluções Baseadas na Natureza dentro do ambiente escolar. Desde 2022, o Instituto Justiça atua como parceiro institucional da organização Formigas-de-Embaúba, viabilizando a criação de miniflorestas comunitárias em terrenos urbanos e pátios de unidades públicas de ensino. A iniciativa pedagógica utiliza dinâmicas ecológicas para envolver comunidades na regeneração ambiental e na mitigação dos efeitos do calor urbano.

A metodologia de trabalho encontra inspiração biológica na relação de simbiose entre a árvore embaúba e os insetos que habitam o tronco oco dessa espécie vegetal. Na natureza, a planta garante abrigo e nutrientes enquanto as formigas protegem as folhas contra ameaças externas. Esse funcionamento sistêmico é adotado como ponto de partida para as atividades práticas com os estudantes, demonstrando que as florestas dependem de uma rede interconectada de funções biológicas. Nos pátios, o processo de plantio reúne mudas de dezenas de espécies nativas da Mata Atlântica colocadas de forma adensada para acelerar o crescimento e gerar sombreamento completo do solo.

Os benefícios gerados por essa vegetação urbana foram mensurados em avaliações científicas locais. Um estudo realizado pelo Laboratório de Conforto Ambiental da FAU-USP identificou uma redução de 4,8 °C na sensação térmica no interior dessas florestas escolares quando comparado às áreas abertas e sem árvores do entorno. As medições técnicas do laboratório apontaram cenários críticos na capital, onde o piso de concreto de pátios sem arborização atingiu quase 50 °C durante ondas de calor, enquanto os espaços recuperados pelo projeto mantiveram marcas estáveis de 26 °C.

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O cofundador e diretor da Formigas-de-Embaúba, Rafael Ribeiro, analisa que a experiência prática modifica o entendimento dos alunos. Conforme explica, “quando uma criança descobre que existem formigas morando dentro daquele tronco, a conversa muda de lugar”. O gestor ressalta que o ato de plantar deixa de ser um mero exercício mecânico e “passa a ser sobre criar as condições para que uma floresta apareça”. De acordo com a sua avaliação, os estudantes vivenciam uma dinâmica pedagógica profunda que o formato tradicional de ensino em salas fechadas é incapaz de proporcionar. Ribeiro observa que “uma criança que planta uma muda de cinquenta centímetros e volta um ano depois para encontrar algumas árvores já com mais de três metros vive, na prática, o que nenhuma aula expositiva ensina”.

A escolha dos locais para receber as intervenções prioriza os bairros periféricos devido à vulnerabilidade dessas populações aos extremos climáticos e à menor presença de praças públicas. A seleção dos terrenos conta com o suporte tecnológico do MapBiomas, que emprega imagens de satélite para analisar a aptidão de plantio em cerca de três mil escolas do município. Os mutirões envolvem estudantes e familiares em encontros de observação do solo e manejo, enquanto a capacitação do corpo docente assegura a continuidade das atividades nos anos seguintes.

Ribeiro destaca que a presença dessas áreas verdes de 250 metros quadrados modifica a vida cotidiana nas periferias de São Paulo, suprindo a carência histórica de espaços sombreados de convivência. Segundo ele, “não existe lugar onde uma minifloresta faça mais diferença do que numa periferia”. O especialista pondera que as regiões periféricas da capital concentram os piores indicadores ambientais urbanos e, por essa razão, é “exatamente aí que uma área de duzentos e cinquenta metros quadrados de floresta muda a vida cotidiana das pessoas”.

O cofundador do projeto ressalta ainda o papel estratégico do Instituto Justiça no amadurecimento e na sustentabilidade do programa. O gestor avalia que o formato de cooperação supera o modelo de doações pontuais, estabelecendo uma aliança construtiva de longo prazo. Conforme detalha, “não é uma doação pontual para um plantio: é uma parceria em que o Instituto participa das decisões, pensa junto com a gente e contribuiu para que amadurecêssemos o método, formássemos equipe e voltássemos às mesmas áreas ano após ano para cuidar do que foi plantado”. O envolvimento do corpo docente também é apontado como o pilar de perenidade do programa nos territórios. Para Ribeiro, “quando a equipe da escola se apropria da minifloresta, ela entra de vez no projeto pedagógico e atravessa a troca de turmas e de gestão”.

A aliança conjunta já viabilizou a recuperação de 1.942 metros quadrados de áreas verdes em unidades públicas paulistas, englobando locais como o CEU Vila do Sol, o CEU Paraisópolis e a EMEF Plácido de Castro. O trabalho soma 4.109 mudas plantadas e registra taxas de sobrevivência da vegetação entre 85% e 90%. Para assegurar a regularidade jurídica das intervenções, as atividades contam com acordo de cooperação técnica firmado junto à Secretaria Municipal de Educação e possuem enquadramento em diretrizes climáticas locais, a exemplo do PlanClima SP.

Os números abaixo detalham o balanço geral do programa acumulado entre 2019 e 2025 e isolam o recorte das realizações alcançadas especificamente por meio da parceria institucional com o Instituto Justiça:

Indicador
Total Formigas-de-Embaúba (2019–2025)
Recorte Parceria Instituto Justiça (desde 2022)
Miniflorestas Plantadas52 miniflorestas8 miniflorestas (1.942 m² totais)
Árvores Plantadas29.454 árvores4.109 árvores
Espécies Nativas Utilizadas136 espécies no programaPresentes na seleção das áreas atendidas
Participantes das Atividades13.266 pessoas1.899 estudantes
Professores Formados1.952 educadores25 educadores
Engajamento em MutirõesIntegrado ao público geral750 moradores da comunidade
Beneficiários Diretos~62.000 pessoas no entorno2.674 pessoas totais na comunidade escolar
Taxa Média de Sobrevivência85% a 90%Acompanhamento contínuo por até 3 anos
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